Berranteiro cruza as Américas com cão e volta ao Brasil montado em mulas após três anos na estrada

  • 01/08/2026
(Foto: Reprodução)
Influenciador que cruzou as Américas de caminhonete chega ao Brasil montado em mulas A aventura que começou em uma caminhonete adaptada terminou no lombo de duas mulas. Em quase três anos de viagem, o berranteiro Pedro Henrique Biondo Matias cruzou 16 países e percorreu cerca de 60 mil quilômetros pelas Américas acompanhado do cachorro Bastião e de um berrante. Agora, ele está prestes a concluir a jornada, que terminará na Festa do Peão de Barretos. 📣))) berranteiro é o nome dado a quem toca berrante, instrumento tradicionalmente usado por peões para conduzir o gado e se comunicar no campo. Pedro partiu no dia 28 de agosto de 2023 para desbravar o continente. Antes de se tornar conhecido nas redes sociais como "Berranteiro das Américas", onde acumula 1 milhão de seguidores, ele levava uma rotina completamente diferente. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Formado em engenharia civil, Pedro Henrique trabalhava na área e tinha uma vida estável, mas interrompeu a carreira para colocar em prática um sonho que amadurecia havia dois anos: conhecer o continente e honrar as tradições de antigos peões e tropeiros. Pedro Henrique Berranteiro, natural de Orindiúva (SP), voltou para o Brasil montado em mulas Reprodução/Instagram De volta ao Brasil, trouxe na bagagem histórias dos milhares de quilômetros percorridos e a certeza de que a viagem mudou a sua forma de enxergar a vida. “Eu voltei uma pessoa diferente, aprendi a ser mais humilde e vi que a gente depende muito da ajuda das pessoas todos os dias. Eu sabia que ia ter que abrir mão de várias coisas, mas valeu a pena. Eu buscava motivação para viver e encontrei”, celebra Pedro. O influenciador voltou para a cidade natal, Orindiúva (SP), no último sábado (25). Lá ele aproveita os dias ao lado da família e se prepara para a despedida oficial de seu projeto: o último trecho da expedição, a cavalgada até Barretos (SP), durante a Festa do Peão de Barretos. 🐂 A Festa do Peão é o maior rodeio da América Latina e reverencia a cultura sertaneja no país. Além de promover competições equestres e de montaria, reúne grandes shows e milhares de visitantes. Nômade e sem rotina Pedro Berranteiro ao lado do cão Bastião Reprodução/Instagram Acompanhado do melhor amigo, o border collie Bastião, que ficou famoso por fazer um "dueto" com a cantora Ana Castela, Pedro Henrique contou que aprendeu a viver sem rotina - o que incluiu dormir em redes, fazendas, barracas improvisadas ou até dependendo da solidariedade de desconhecidos para quem pedia pouso. No percurso, o influenciador revelou que as despesas eram pagas com patrocínios, doações de seguidores, rifas e vendas de produtos pela internet. Foram quase três anos sem endereço fixo e, depois de enfrentar temperaturas de até sete graus negativos no México, passou a dar mais importância a um banho quente. Em um dos episódios da viagem, o cheiro da cana-de-açúcar queimando em uma estrada na zona canavieira do México fez o coração do paulista acelerar: era como 'estar perto de casa', relembrou Pedro. Esse foi um dos “combustíveis” para superar a saudade de casa e os meses seguintes na estrada. Pedro contou também que imaginava o momento em que reencontraria o avô sentado na calçada esperando sua chegada. Dois meses antes do fim da viagem, porém, o avô do berranteiro morreu. Apesar da dor, Pedro diz que voltar para casa e ser recebido com acolhimento pelos amigos e familiares tornou o processo menos doloroso. “Eu senti muita falta da minha avó, da comida que ela fazia, o carinho e o jeito dela. Foi muito bom você rever as pessoas que tinha contato antes de ser o ‘Berranteiro das Américas’", disse. Cachorro Bastião e Pedro Henrique viajaram juntos de caminhonete do Brasil aos EUA Reprodução/Instagram 🛻 Planejamento e "cãopanhia" A ideia nasceu na garagem de Pedro, que planejou a viagem por dois anos: adaptou uma caminhonete, organizou a documentação necessária para atravessar o continente, estudou mapas e rotas. Assim, partiu rumo aos EUA com o “cãopanheiro”, que ganhou de presente de um amigo que o incentivou a não viajar sozinho. Juntos, rodaram 50 mil quilômetros na ida. A primeira etapa da viagem sobre o asfalto foi concluída no dia 12 de abril de 2024, quando estacionou em Laredo, no Texas. De lá, ainda conheceu 35 estados norte-americanos antes de tomar a decisão que mudaria completamente a história da expedição. (Veja no infográfico abaixo toda a jornada) Pedro Henrique Berranteiro, natural de Orindiúva (SP), voltou para o Brasil montado em mulas após viajar até os EUA de caminhonete Reprodução/Instagram 🐎 A volta A aventura começou bem diferente de como termina (sobre quatro patas). Isso porque Pedro decidiu que voltaria para casa montado em mula, uma forma de homenagear antigos peões que, muito antes das rodovias, cruzavam fronteiras conduzindo tropas. Antes de 'embarcar', passou 50 dias amansando as mulas, chamadas Ada e Oklahoma em homenagem ao estado de origem delas. Pedro teve ainda que treinar Bastião para que conseguisse montar nas mulas. Em outubro de 2024, começou oficialmente a volta para casa. Desde então, percorreu 10 mil quilômetros sobre o lombo dos animais. A meta, segundo ele, era percorrer 30 quilômetros por dia, para garantir a saúde física dos animais. Depois de viajar até os EUA de caminhonete ao lado do cachorro Bastião, Pedro Henrique voltou para o Brasil de mulas Reprodução/Instagram Diferentemente da caminhonete, para os quais existem leis internacionais claras de trânsito, viajar com mulas por dez países exigiu diplomacia. Sem protocolos definidos, Pedro dependia da negociação direta com as autoridades sanitárias de cada fronteira. O que começou com o planejamento detalhado de rotas e mapas, transformou-se em uma comitiva. Isso porque, a partir do México, Pedro ganhou o apoio do amigo Gustavo Paloni, que é médico veterinário e buscou a caminhonete usada na ida até os EUA para dar suporte aos animais, levando suprimentos, água e medicação. Ao cruzar a fronteira brasileira, a recepção calorosa transformou a viagem. Comitivas do Acre e de Rondônia se juntaram ao berranteiro. Todos os dias, o influenciador revelou que pessoas que ele nunca tinha visto apareciam na estrada com seus cavalos e mulas para acompanhar trechos do percurso. Ao chegar a Orindiúva, Pedro foi recebido com festa, almoço e um desfile organizado pelos próprios moradores. Em 15 de agosto, após o descanso na terra natal, o Berranteiro das Américas sela novamente as mulas e segue para o útimo ato da viagem: a Festa do Peão de Barretos. A previsão é que a comitiva chegue à arena entre os dias 21 e 22 de agosto. Infográfico mostra países por onde o berranteiro passou nas Américas arte/g1 Por que mulas? O amigo de Pedro, médico veterinário Gustavo Pereira, explicou que as mulas são animais historicamente utilizados para longas jornadas e transporte de carga devido à resistência. Embora a expedição tenha sido longa, os animais avançavam em um limite considerado curto para a capacidade da espécie, sendo no máximo 30 km por dia, e cada mula era montada pelo berranteiro por 15 quilômetros. "É como um atleta. Um jogador de futebol não consegue correr 90 minutos sem preparo. Com as mulas acontece a mesma coisa: elas precisam estar bem treinadas, condicionadas e alimentadas", afirma o veterinário. Em alguns trechos, viajavam cinco ou seis dias consecutivos e interrompiam a jornada por até quatro. Em outros, percorriam cerca de dez dias antes de uma nova pausa. Segundo o veterinário, uma mula bem preparada pode percorrer até 90 quilômetros diariamente. Médico veterinário Gustavo Pereira Paloni acompanhou Pedro na volta para o Brasil Reprodução/Instagram Ao g1, o doutor em Zoologia Thiago Davanso explica que a escolha dos animais é justificada também pela força e pela inteligência. A mula é um animal híbrido, resultado do cruzamento entre um jumento macho e uma égua. A combinação reúne características que fazem o animal demandar menor quantidade de água e alimento. “É um animal de extrema eficiência se bem cuidado e bem tratado. Ele pode viver de 40 a 45 anos. Ela é usada para o transporte, em locais de difícil acesso para carros, como em trilhas de montanhas. Ela tem o porte de um cavalo, mas é muito mais resistente e inteligente”, concluiuThiago. Pedro Berranteiro retornou ao Brasil montado em mulas Reprodução/Instagram Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/08/01/berranteiro-cruza-as-americas-com-cao-e-volta-ao-brasil-montado-em-mulas-apos-tres-anos-na-estrada.ghtml


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